Blog da Ana Maria Bahiana

Na estrada, de volta a 1964
Comentários 2

Ana Maria Bahiana

Almanaque 1964.jpg

Mais uma vez, começo pedindo desculpas pelo sumiço. Emendei a finalização do meu novo livro com a temporada de prêmios e, finalmente, com uma viagem ao Brasil – onde estou agora…

O livro, Almanaque 1964, saiu esta semana pela Companhia das Letras. Foi um trabalho super intenso que exigiu uma imersão completa no mundo do ano que mudou tudo no Brasil.  E que, fora de nossas fronteiras, realmente inaugurou o que depois chamaríamos de “os anos sesssenta”: novas propostas, novos desafios, terremotos sociais, culturais, estéticos, políticos.

Estou bem orgulhosa do trabalho no Almanaque: foi quase um transe, uma viagem emocional para um tempo do qual tenho apenas memórias pessoais, fracionadas. O golpe de março, sim. Mas muito mais veio à tona: turmas de rua, mods e rockers; Beco das Garrafas, Rua Augusta, Arpoador; Beatles, Rolling Stones, The Who e a aurora da Swingin’London; Kubrick, Glauber, 007 e a cadelinha Baleia de Vidas Secas; monoquini, estampa mamãe dolores, Dener e concurso de fantasias de carnaval; lambretas, Aero Willis, trem bala; direitos civis,corrida espacial, guerra fria e a eclosão do movimento contra a guerra do Vietnã. E tanta coisa mais…

Aqui vai minha agenda de eventos do lançamento do Almanaque, por enquanto:

 Rio de Janeiro :

  • Sexta dia 28, Centro Cultural Banco do Brasil, 18 30, conversa com Arthur Dapieve sobre a cultura em 1964.
  • Quinta dia 3 de abril, livraria Travessa do Shopping Leblon, 19h, noite de autógrafos.

São Paulo:

  • Terça dia 1 de abril, livraria Cultura do Conjunto Nacional, 18h30, noite de autógrafos

Porto Alegre:

  • Quarta feira dia 9 de abril, Livraria Cultura, 19h, noite de autógrafos

Brasilia:

  • Sábado dia 12 de abril, evento na Bienal Brasil do Livro e da Literatura.

Além disso estou ministrando uma versão atualizada do curso Como Ver um Filme, incluindo séries de TV e as novas tecnologias digitais, em Porto Alegre:, dias 7 e 8 de abril. Mais informações e inscrições com a CenaUm.

Muito bom matar as saudades…Vejo vocês por aí!


O final de True Detective: mil e uma noites no sul da Louisianna
Comentários 23

Ana Maria Bahiana

True-detective-1x02-7 Minha primeira reação quando terminou o episódio final de True Detective foi: caramba, agora não dá pra ver mais nada hoje; todo o resto vai parecer….televisão. Depois eu fiquei com pena de todo mundo que, viciado em “televisão”, estava esperando mil truques e viradas e sustos. Pelas reações que vi no Twitter, tem muita gente assim. Dá dó mesmo. Porque  esta temporada de True Detective sempre foi sobre duas coisas, e duas coisas sempre: o poder da narrativa; e a narrativa de um lugar.

As pistas estavam na cara da gente o tempo todo, provocando, pedindo que a gente pensasse fora da caixa, pensasse não no que está acontecendo mas como e onde está acontecendo – e como esse artifício, tão antigo quanto a mente humana, ainda, mais uma vez, era capaz de nos manter presos à nossa capacidade de imaginar, que nem o Sultão ouvindo Sherazade nas Mil e Uma Noites. “Tudo foi sempre uma história, a mais antiga de todas”, Rust Cohle, o personagem de Mathew McConnaughey diz no diálogo que resume tudo. Quando Nic Pizzolato lançou a isca de Ambrose Bierce e seu  “Habitante de Carcosa”, que por sua vez leva ao Rei de Amarelo de Robert Chambers, que por sua vez leva a H. P. Lovecraft, o mito de Cthulhu e dezenas de outros escritores desenvolvendo histórias sobre histórias como níveis e mundos de um videogame a proposta ficou clara: este primeiro True Detective era sobretudo sobre contar histórias. A história de 1995. A história de 2002. A história de 2012. A história de Cohle, a história de Hart, a história que eles contam um ao outro, que eles contam aos detetives em 2012, que eles contam a si mesmos. A história que nós estamos vendo. E no fim, uma história muito antiga – a coragem necessária para entrar num labirinto sabendo, com certeza, que “no final há um monstro”. Uma história que por sua vez abraça uma história ainda mais antiga: bem, mal, luz, escuridão. Mas esta primeira safra de True Detective foi também sobre um lugar – o sul da Louisianna, onde Pizzolato cresceu, uma terra sempre à beira do caos, lentamente devorada por marés, tempestades e furacões, pontuada por ruínas e refinarias de petróleo, às vezes intocada e selvagem, às vezes poluída e contaminada, onde todos os opostos são possíveis, e convivem. Em True Detective a paisagem era um personagem, e sua história era uma das histórias mais poderosas da trama. Houve um tempo em que apenas o cinema – e o cinema de qualidade superior e grandes ambições – provocava esse tipo de reflexão, essa riqueza de ideias. Pizzolato e a HBO criaram um problemão para si mesmos: fazer uma segunda temporada desta série-antologia (nos moldes de American Horror Story) neste mesmo nível. E por favor indiquem para os Emmys todo mundo de True Detective – inclusive o notável time da montagem, que inclui o brasileiro Affonso Gonçalves, o mesmo de Beasts of The Southern Wild (que, se não foi uma das inspirações para a série… sei não…)


Quem vai ficar com Oscar? (Quase) todas as possibilidades, aqui.
Comentários 9

Ana Maria Bahiana

Primeiro as más notícias: não vai ter Oráculo este ano. Sinto muitíssimo _ é uma coisa que adoro e que aguardo com prazer todos os anos. Mas este ano não vai ser possível por conta de… esta boa notícia: capa-Almanaque-1964   Meu novo livro, Almanaque 1964, que sai neste mês de março, pela Companhia das Letras, e que vou lançar em pessoa, no Brasil (tem Kubrick! Glauber! My Fair Lady! A Hard Day’s Night! James Bond!).  Os preparativos para a viagem e o lançamento, mais o fato do Oscar ser mais tarde, este ano (culpa das Olimpíadas de Inverno…) não me dão o tempo que preciso para coordenar e apurar o Oráculo, este ano.. Mas como eu sei que vocês vão com certeza fazer suas apostas, e como estou devendo resenhas de um monte de filmes na disputa deste ano, aqui vai um combinado opinião/perspectivas dos principais títulos da safra 2013-2014. slaveabre 12 Anos de Escravidão. Já disse aqui que para mim é o filme do ano. Não é, contudo, uma obra fácil. O acadêmico que reagiu ao filme de Steve McQueen como “violence porn” se equivocou espetacularmente: violence porn são os filmes – tantos, tantos- que usam a violência, a tortura e o sofrimento como espetáculo e entretenimento. McQueen faz o oposto aqui: seu olhar desassombrado sobre os 12 anos em que Solomon Northup, um homem livre, viveu como escravo é apavorante exatamente porque mostra a famosa banalidade do mal, a naturalidade como, em nosso passado como seres humanos, achávamos perfeitamente normal que um de nós pudesse ser dono de outro como se é dono de um objeto qualquer. É um filme poderoso, de enorme beleza – uma contradição estética que só faz acentuar o imenso abismo moral no seu centro- repleto de desempenhos notáveis. Meu único, diminuto problema (diante da enormidade da qualidade do restante) são as aparições de Brad Pitt no final (mas ele é um dos produtores do filme, o que explica talvez porque, entre tantas opções, McQueen ficou com ele mesmo para o papel do marceneiro canadense…). A campanha: Depois de um trabalho focado nas qualidades individuais dos talentos do filme e em seu desempenho em outras premiações, a Fox pegou pesado nos últimos dias da votação (que terminou ontem) com cartazes de rua e anúncios que apelam para a consciência dos votantes. “Está na hora”, é o tema – insinuando que está na hora de uma virada, do reconhecimento de um filme que tem diretor, elenco e tema negros. slave As chances: Apesar de suas nove indicações e da força de sua qualidade, 12 Anos pode ser um filme árduo demais para ser vitorioso como merece. Lupita Nyong’o e Chiwetel Ejiofor (atriz coadjuvante , ator), e John Ridley (roteiro adaptado) tem as melhores chances, e a direção de arte é uma possibilidade.   gravity Gravidade Minha resenha está aqui e não mudei meu ponto de vista. É um belo filme, sobretudo por algo que a Academia adora: a audácia técnica. Numa segunda visão, a forma ultrapassa largamente o conteúdo, mas há bons filmes assim – em que o modo como se conta a história É a história. A campanha: Desde sua estreia em Veneza ( em agosto de 2013) o filme de Alfonso Cuarón  se firmou como o franco favorito da safra 2013. E o que acontece com um franco favorito, especialmente numa temporada-ouro excepcionalmente longa como esta? Lá pelo meio do caminho, na reta final quando os votantes estão fazendo suas últimas escolhas e os indecisos são mais influenciáveis, começam a aparecer, “não se sabe de onde” gritos e sussurros desmontando o filme. O principal argumento contra dessa anti-campanha tem sido a “inexatidão científica” do filme. Vai fazer danos? Pequenos, creio. O filme ainda permanece na pole. As chances: Ainda é o filme que os demais tem que derrotar. Cuarón como melhor diretor é uma certeza. Muito boas probabilidades em filme, fotografia, montagem, efeitos e som. Sandra Bullock? Não creio. Esse é de Cate Blanchett, este ano. ahustle Trapaça: Não sei sobre vocês, mas ainda não entendi o que as pessoas por aqui vêem em David O. Russell. E não é porque ele é uma pessoa desagradável (no mínimo): é porque, como realizador, numa geração que tem, por exemplo, Paul Thomas Anderson, Spike Jonze e Wes Anderson, ele é o diretor mais sem personalidade que conheço. Tendo dito isto, Trapaça é a melhor coisa que ele fez desde Três Reis. O que não quer dizer muita coisa. O roteiro – baseado em fatos reais acontecidos durante uma investigação do FBI nos anos 1970- é bem montado, tem estrutura sólida. Pena que Russell cismou que dessa vez queria ser Scorsese. Cópia já é ruim, com talento reduzido fica pior  – o resultado é essa quase-sátira do olhar scorseseano, com todo mundo representando over e um festival de perucas. É um mistério pra mim como conseguiu chegar tão longe. A campanha: Trapaça fez uma das campanhas mais agressivas, talvez a mais agressiva desta temporada. Mimos, jantares, celebrações, anúncios diários, aparições dos atores em talk shows, festas, desfiles. Só faltou batizado e inauguração de supermercado. Suspeito que o pico do favoritismo tenha sido em janeiro, quando meus colegas do Globo de Ouro caíram no engodo. Agora… não sei. As chances: Se o Oscar fosse mais cedo este ano Trapaça seria um rival sério para Gravidade e 12 Anos de Escravidão como melhor filme, embora esteja numa galáxia muito, muito distante desses dois. Agora vejo oportunidades para Amy Adams (atriz) e, menos, Jennifer Lawrence (atriz coadjuvante). capitao Capitão Phillips: Confesso – fui ver com o pé atrás. Não aguento mais filme sobre heroísmo americano e suas consequentes ações bélicas. Também acho os acontecimentos que o inspiraram – o ataque pirata a um cargueiro norte americano nas costas da Somália, em 2009 – recentes demais para serem digeridos numa narrativa ficcionalizada. Mas Paul Greengrass me ganhou bonito, com um plano que, logo no começo do filme, diz sobre o que Capitão Phillips realmente é: aquela imagem poderosa de um barquinho minúsculo praticamente esmagado, visualmente, pelo gigantesco cargueiro. Nem tanto “piratas” contra “heróis”: mais sobre quem tem demais contra quem não tem nada, e as visões de mundo que essas vidas forjam. Ao fechar o foco no duelo de visões e coragens de Phillips e  Muse, dois capitães com diferentes perspectivas sobre suas respectivas missões, Greengrass criou um drama que, ao contrário de uma patriotada, vale a pena ver. A campanha: O filme tem crescido nesta etapa final, apresentando-se como uma opção para os indecisos. E por isso ganhou a necessária anti-campanha, com matérias “espontâneas” sobre as imprecisões factuais do filme. As chances: A grande surpresa da temporada é Barkhad Abdhi, um desconhecido não-ator (era motorista de limusine até fazer o teste para o papel) nascido na Somália e morador de Los Angeles. É o principal rival de Jared Leto para ator coadjuvante. Montagem e som são possibilidades também, assim como o roteiro adaptado de Billy Ray. her Ela. Que delicia de filme! Que presente inesperado numa época em que a opção estética dominante oscila entre a ironia e a amargura! Spike Jonze poderia ter feito algo irônico ou amargo com a premissa do escritor solitário e tímido que se apaixona por seu sistema operacional falante. Mas não foi assim que o filme me falou. Do otimismo de um futuro próximo humano, numa cidade habitável (torço para que Los Angeles do futuro seja assim mesmo… menos as calças de cintura alta…) à palheta de cores vital e saturada Jonze está me dizendo que toda maneira de amar vale a pena. E que estamos às vésperas de ingressar numa era em que noções restritas de “pessoa”, “afeto”, “desejo” e “dimensão” vão definitivamente para o espaço. Ou para onde Ela mora. A campanha: Ela sempre foi o xodó cult, dos votantes mais jovens e menos impressionáveis pelas campanhas. Permaneceu estável nesse patamar, consistentemente, durante toda a temporada. As chances: É o franco favorito para roteiro original, com justiça. Direção de arte também é uma possibilidade. E também: philo O Lobo de Wall Street. Minha resenha também não mudou nada com o tempo. Pelo contrário. Cresceu em popularidade nas últimas semanas (espero que com a turma que se decepcionou com Trapaça…) e está sendo vítima de uma das mais violentas anti-campanhas da temporada (súbitas críticas de que o filme é “vil” e “enaltece a desonestidade”). Leonardo di Caprio tornou-se um candidato real ao Oscar de melhor ator. Mas será que leva?

Nebraska. Alexander Payne engana. Você acha que está vendo uma coisa que já conhece e que sabe o que vai acontecer e aí… Quando você vê o filme cravou as garras no seu coração e te pegou por lados completamente inesperados. Nebraska é exatamente assim: um bilhete de amor à ríspida paisagem – física e humana- do centro-norte americano, onde Payne nasceu e cresceu. E uma meditação sobre gerações, e como seremos aquilo que nossos pais são. Bruce Dern, num desempenho precioso de um papel muito difícil, é querido por muita gente na Academia. Eu queria muito ver mais um prêmio para Nebraska, mas acho que vai ficar por aí.

 

Clube de Compras Dallas vale pelo tema; a complicada história de sua produção deve encantar os votantes, assim como os desempenhos carismáticos de Matthew McConaughey e Jared Leto, os favoritos para melhor ator e melhor ator coadjuvante.

 

Philomena saiu-se muito melhor do que eu estava esperando – temia que Stephen Frears fosse sair pelo lado “engraçado” do choque cultural entre o jornalista cínico e a senhora de poucos recursos em busca do filho que foi forçada a entregar para adoção. Pelo contrário: a profundidade e delicadeza da trama são tocantes, e Judi Dench conta toda a história com um olhar. Mas não vejo o que possa ganhar.   Bom carnaval pra quem é de carnaval, bom Oscar pra quem é de Oscar. Vejo vocês lá no Teatro Dolby. Segunda a gente conversa…


A meio caminho dos Oscars, como estamos?
Comentários 8

Ana Maria Bahiana

86th Academy Awards, Nominations Announcements

 

Sexta feira passada, dia 14, além de dia dos namorados, foi também dia dos integrantes da Academia de Artes e Ciëncias Cinematográficas declararem seu amor pelos filmes, atrizes, atores, diretores, roteiristas e técnicos da safra 2013.  Na verdade, muitos acadêmicos que optaram pela cédula de papel já vinham recebendo seus envelopes há alguns dias… Mas dia 14 foi a largada oficial e o dia em que as cédulas online ficaram disponíveis.

A esta altura as principais principais guildas  e, neste domingo, a Academia britânica, BAFTA, já entregaram seus prêmios.  As escolhas das guildas são os termômetros mais confiáveis da direção que Academia vai tomar, por um motivo simples – a grande maioria de seus integrantes também é membro da Academia, e  basta repetir os votos para termos uma tendência importante na mesma direção.

A BAFTA tem algumas sobreposições de votantes – afinal Hollywood está cheia de britânicos em todas as esferas de produção, e a relação entre as duas indústrias é muito  estreita. Mas é uma confluência menor do que a das guildas – os votos, no final, tendem maciçamente a privilegiar a produção britânica o que, este ano, apenas reforçou as tendências gerais (mais sobre isso logo abaixo…).

Com pequenas variações, as escolhas seguem a trilha anunciada pelos Globos de Ouro, lá atrás em janeiro. Ou seja:

  • Os dois filmes que, como acontece praticamente todos os anos, polarizam as disputas ainda são Gravidade e 12 Anos de Escravidão. Trapaça foi um destaque dos Globos mas está perdendo o fôlego ao longo do período extra-longo (por causa das Olimpíadas de Inverno) de campanha. Mesmo assim, não deve ser descartado – muitos acadêmicos viram no filme de David O. Russell uma homenagem ao cinema dos anos 70, que é a idade de ouro de Hollywood da geração de muitos entre os votantes. (Eu, pessoalmente, ainda não entendi o que tanta gente por aqui está achando neste exercício Scorsese-diet. Ainda mais quando temos um Scorsese de verdade na disputa…) Gravidade tem a vantagem dos prêmios técnicos e o fato de ser um filme muito mais acessível do que o exigente 12 Anos, com seu ritmo deliberado e seu olhar firme sobre a naturalidade das atrocidades da era da escravidão. Ao mesmo tempo é bom lembrar que nos últimos anos e , especialmente  desde o começo da gestão de Cheryl Boone Isaacs como presidente, a Academia tem feito um esforço concentrado para atualizar e diversificar seu foco. Isso pode ser um fator importante para o filme de Steve McQueen. Mas atenção: quietamente, Capitão Phillips vem ganhando terreno com os indecisos.
  • Entre as atrizes, vai ser difícil tirar esse Oscar de Cate Blanchett. Nem mesmo o retorno da controvérsia em torno de Woody Allen (deflagrada por seu prêmio Cecil B. De Mille nos Globos) parece ter afetado seu posto como franca favorita – Cate venceu todos os prêmios até agora. Senão ela, quem? Judi Dench? Amy Adams? Sandra Bullock? Pouco provável.

rs_560x420-140211094019-1024-leonardo-dicaprio-oscar-winner.ls.21114_copy

  • Matthew McConaughey também permanece firme como o franco favorito para melhor ator por seu trabalho em Clube de Compras Dallas. Seu principal rival, Chiwetel Ejiofor, ficou com o prêmio BAFTA onde sua nacionalidade com certeza ajudou (sua atuação em 12 Anos de Escravidão é absolutamente paranormal, mas,  na hora de ganhar prêmios,  muitos outros fatores pesam…). Curiosamente, há um movimento muito forte a favor de Leonardo DiCaprio. Uma parte é campanha mesmo – por exemplo, a quantidade de matérias que subitamente tem aparecido a respeito de seu desempenho em O Lobo de Wall Street, nas últimas semanas.. Outra parte parece ser o inconsciente (ou consciente..) coletivo dos fãs, expresso em memes (Leo numa cena de Lobo, com o Oscar na mão) ou na já famosa matéria da CNN, que mostrou a placa com seu nome como vencedor (na verdade uma das muitas placas com os nomes de todos os indicados que já ficam pré-gravadas e são afixadas depois da entrega, durante o Governor’s Ball). Há de fato um sentimento, dentro e fora da Academia, de que DiCaprio já devia ter ganho sua estatueta há mais tempo. Mas… muito possivelmente ainda não é desta vez.
  • Nas demais categorias principais, Alfonso Cuarón ainda é o favorito para diretor, Lupita Nyongo’o e Jared Leto estão na ponta entre os coadjuvantes. Ela e Capitão Phillips levaram os prêmios da Writers’ Guild, mas é bom lembrar que 12 Anos de Escravidão não estava concorrendo porque seu autor, John Ridley, não pertence à Guilda. Olho nele nos Oscars, como roteiro adaptado.

A votação para os Oscars termina impreterivelmente as 17h (horário de Los Angeles) do dia 25 de fevereiro. A entrega é dia 2 de março _ Daniel Day Lewis, Anne Hathaway e Jennifer Lawrence já confirmaram presença como apresentadores.


Um RoboCop para tempos de cólera
Comentários 22

Ana Maria Bahiana

robo1.jpg

Se é verdade que é tão perigoso para um poeta tentar um novo idioma quanto para um místico tentar uma nova crença – porque ambos correm o risco de perder sua alma – então o realizador que tenta migrar de seu país para a Babilônia de Hollywood corre risco dobrado. Crenças e estilo pessoais são frágeis diante do cinema de escala industrial, e já vi muita gente boa, excelente mesmo, perder não digo a alma mas com certeza a saúde, a paciência e, algumas vezes, o rumo.

Foi um enorme prazer e alegria constatar que, colocado no tango feroz com a Sony, José Padilha não apenas sobreviveu intacto como nos deu um filme sólido, divertido, às vezes deliciosamente perverso, que relê e reposiciona o igualmente sólido, divertido e perverso original de Paul Verhoeven.

Vamos tirar do caminho, logo de cara, o que não deu certo. A música (de Pedro Bromfman) não me convenceu, me pareceu uma trilha genérica levantada de qualquer outro filme de ação. O contraste com as espetacularmente bem escolhidas faixas não-originais – de Frank Sinatra a Focus, passando por uma canção do Mágico de Oz e encerrando com “I Fought the Law” na versão do Clash – só faz tornar a trilha original ainda mais sem graça.

E como já é praxe no gênero, as personagens femininas são pouco mais que nada – assistentes, secretárias e uma esposa que sofre muito (Abbie Cornish, desperdiçada). Mas isso é um problema muito mais vasto que apenas um filme e que, acho, só vai ser consertado quando surgir a Kathryn Bigelow da sci-fi.

De resto, que prazer! O RoboCop de 1987, dirigido por Paul Verhoeven e escrito pela dupla Edward Neumeier e Michael Miner (que também escreveram Tropas Estelares, adaptando o livro de Robert Heinlein) era um comentário ácido sobre a escalada da violência urbana , a inevitável militarização da polícia e o extermínio dos direitos dos cidadãos.

A versão de Padilha – trabalhando com um bom roteiro de Joshua Zetumer, um dos roteiristas não-creditados de Quantum of Solace – incorpora todos os elementos que tornam o mesmo tema muito mais complicado, hoje: a globalização, a guerra por controle remoto de drones e satélites, a interface entre ser humano e inteligência artificial, e as muitas, muitas concessões de liberdades pessoais sacrificadas no altar da “segurança” ao longo dos 27 anos que separam um filme do outro.

Usando uma “personalidade de TV” demagógica  (vivida com a perfeição de sempre por Samuel L. Jackson) como condutor da trama, Padilha traz para seu RoboCop a urgência de um bom documentário, sublinhada pela câmera nervosa de Lula Carvalho e a montagem exata de Daniel Rezende. Mas não é só Tropa de Elite à vigésima potëncia: é tambem uma reflexão sobre o que nos faz humanos, com ecos do Frankenstein de James Whale e uma performance exata e sensível de Joel Kinnaman como o homem comum perdido dentro da máquina.

Mesmo imaginando o que deve ter sido o processo de atualizar uma propriedade intelectual de um grande estúdio com mais inteligência do que é necessário, não posso saber ao certo como foi a batalha de Padilha para realizar sua visão mantendo claros tanto o compromisso com o mercado quanto sua integridade criativa. É nessa batalha que se testam os grandes talentos. E nesse round foi Padilha que saiu vitorioso.

RocoCop estreia nos Estados Unidos dia 12 e no Brasil dia 21 de fevereiro.


Ben Affleck como Batman? Provavelmente não.
Comentários 195

Ana Maria Bahiana

Ben Affleck.jpg

 

Eis o que aprendi hoje de uma fonte muito segura: Ben Affleck  NÃO será o Batman do filme Super-Homem X Batman de Zach Snyder. A Warner apertou todos os botões de pânico com a violenta rejeição dos fãs à escolha do novo homem morcego e está há meses estudando um modo de resolver a batata quente sem perder a pose. Segundo o meu (muito informal) terno Armani. o estúdio sabe perfeitamente para quem está fazendo o filme — para os fãs dos dois super-heróis– e, portanto, sabe exatamemte o risco que corre se não agradar a galera.

A questão é como fazer a troca de tal modo que não pareça que a poderosa Warner está se curvando aos gostos e desgostos dos fãs…

O anúncio da nova data de estreia do projeto – 2016- é parte dessa estratégia, um modo de ganhar tempo para escolher o novo Batman e fazer o movimento anti-Affleck esfriar um pouco. Em alguns meses, me garante o Armani, Snyder e Affleck terão uma “divergência criativa”  e/ou Affleck terá um “conflito de agenda” com o novo cronograma de produção.

E quem assume a máscara? O paladino do Leblon provavelmente não. Nomes que ouvi até agora: Josh Brolin e , de novo, Michael Keaton.

E vocês, o que acham? Quem seria um bom Batman-coroa?


Como fica a disputa do Oscar depois dos prêmios dos produtores
Comentários 4

Ana Maria Bahiana

ap831522408689

PGA-Awards-12-Years_2014

O empate de ontem nos prêmios da Producers Guild – o primeiro na história do prêmio – confirmou uma teoria que lancei aqui faz tempo: a de que todo ano a disputa do Oscar, reta final da Corrida do Ouro, se dá entre dois filmes que polarizam as opiniões dos votantes e significam, muitas vezes, realizações diferentes do mesmo tema.

O tema deste ano sendo “sobrevivência”, 12 Anos de Escravidão e Gravidade  se encaixam perfeitamente. A questão agora é – o que vai acontecer com Trapaça, que vem correndo por fora com grande ânimo?

Temos seis semanas pela frente até o Oscar, e as campanhas, agora, vão partir com tudo para a briga. Frozen já está bem estabelecido como o vitorioso da animação. Entre os atores, Cate Blanchett, Matthew McConaughey e Jared Leto são os donos da bola, mas eu ainda não descartaria Amy Adams, Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender. Entre as atrizes coadjuvantes, a disputa é entre Lupita Nyong’o e Jennifer Lawrence, e, por enquanto, as duas estão empatadas.

Temos ainda,até 2 de março (contando apenas os premios das Guildas, que tem impacto direto sobre os Oscars, por incluirem os mesmos votantes):

  •  Directors Guild, dia 25 (diretores). Ajuda a definir a preferëncia entre diretores e reforça as possibilidades do filme que o vencedor dirigiu. Cuaron e McQueen (Gravidade e Escravidão respectivamente) não são americanos… será que isso vai desempatar para David O. Russell (espero que não).
  •  Annie Awards, dia 1 de fevereiro (animadores). Frozen vai levar mais esse.
  •  Writers Guild, 1 de fevereiro (roteiristas) Nem  John Ridley (Escravidão)  nem os Cuaron pai e filho estão for a dessa graças à antipaticíssima regra que só permite o voto em membros da WGA. A vantagem é de Trapaça, mas a exclusão dos dois outros favoritos pode diminuir o peso da premiação na hora de definir tendências.
  •  VES Awards (efeitos especiais), 12 de fevereiro. Gravidade tem a vantagema aqui – independente de ganhar ou não, Cuarón receberá um troféu especial como “visionário”.
  •  ACE Eddie Awards (montadores), 15 de fevereiro. Os três principais competidores estão na briga, e dois deles podem ser premiados – a ACE tem categorias separadas para drama e comédia.

E lembrem-se: em qualquer um desse prêmios que tenha categoria “TV”, podem cravar Breaking Bad. É a única unanimidade certa deste ano. E com razão.


Indicações ao Oscar 2014: o que eu gostei, o que detestei
Comentários 24

Ana Maria Bahiana

abreabopa

Não é porque eu vi de relance as palavras “Jackass” e “Jonah Hill” no press kit das indicações ao Oscar 2014 que fiquei brevemente em choque – afinal, Jackass estava indicado na categoria cabelo e maquiagem, onde apenas o trabalho técnico é apreciado (O Cavaleiro Solitário também está lá…) e por menos que eu goste de Jonah Hill, Scorsese extraiu dele um desempenho excelente (que eu mesma destaquei na minha resenha para o Just Seen It).

Não, não foi isso: foi quando eu fiz as contas e vi que Trapaça tinha dez indicações e 12 Anos de Escravidão tinha nove.

Vamos então dizer logo de cara: amigas e amigos, 12 Anos de Escravidão é o filme mais importante da safra 2013. Mesmo com os dez minutos de Brad Pitt e seu sotaque bizarro (ator-produtor tem seus privilégios…) o filme de Steve McQueen já está na história do cinema como a mais profunda, exata e poderosa visão de  um assunto que os americanos preferem empurrar para baixo do tapete.

Ei! Acho que acabei de descobrir o porque da diferença de indicações.

Sim, Gravidade e Trapaça são filmes muito mais confortáveis de serem indicados e premiados.

Não me levem a mal: gosto muitíssimo de Gravidade e acho Trapaça o melhor filme de David O. Russell desde Three Kings. Mas 12 Anos de Escravidão é o filme do ano. Ponto. Parágrafo.

Então vamos ao que gostei nas indicações de hoje de madrugada:

colirio

  •  Chris Hemsworth ao lado da presidente Cheryl Boone Isaacs apresentando os indicados. Colírio de manhã cedo é sempre bom.
  •  Da Academia não ter caído no engodo de O Mordomo da Casa Branca. O filme é ruim, é muito ruim. A histeria da mídia norte-americana praticamente cobrando uma indicação para Oprah me faz imaginar as dimensões da campanha de relações públicas correndo solta por baixo dos panos…
  •  Da inclusão do meu querido Alabama Monroe entre os indicados a melhor filme estrangeiro. Meus colegas não fizeram o mesmo, e agora a injustiça foi corrigida.
  •  De Ela, Nebraska e Philomena estarem entre os indicados a melhor filme, além de outras indicações. Pequenas, gloriosas gemas que merecem todo reconhecimento.
  •  De terem se lembrado de Leonardo DiCaprio por Lobo de Wall Street. Leo merece, e seus colegas da Academia tem o hábito de esquece-lo.
  •  Ver The Wind Rises e Ernest & Celestine entre os longas de animação. As manobras dos estúdios conseguiram tirar os dois da categoria nos Globos. Agora, justiça é feita (vocês já sabem por qual estou torcendo).

oscarabre

Agora, vamos ao que não gostei de jeito nenhum:

  •  Clube de Compras Dallas não é um dos melhores filmes do ano. Mas de jeito nenhum. Queriam honrar um independente? Que tal Fruitvale Station, que vocês ignoraram por completo?
  • Terem ignorado Rush e Daniel Bruhl. Ao menos por essa eu já esperava – os americanos não entenderam aquilo que faz o filme, e o desempenho de Bruhl, absolutamente espetaculares.
  • Eu entendo que vocês gostam de Bradley Cooper. Vocês caíram nessa ano passado também. Mas ele super-atua. Sempre, e no mesmo, único tom. (A não ser em Place Beyond the Pines, onde o Cianfrance deu um jeito nele… mas esse vocês não viram, certo?)
  • Aliás, todo mundo em Trapaça super-representa. Mas agora vocês todos aí no departamento de atores estão querendo trabalhar com o mito que vocês mesmos inventaram, David O. Russell – é isso?
  •  Como assim Blackfish fora dos indicados a documentário? Não  é apenas excelente, é um dos docs que está causando mais repercussão real. Além disso a diretora, Gabriela Cowperthwaite, é brasileira- seria um modo de se torcer pelo país, certo? Torçamos então por The Square, igualmente ótimo e editado por um brasileiro, Pedro Kos.
  •  Ver Oscar Isaac e Joaquin Phoenix de fora.
  •  Ver Robert Redford e All is Lost de fora. Nem a trilha, minha gente? Aquela trilha do John Williams para A Menina Que Roubava Livros é pura sacarina. Cadê a modernidade, pessoal?
  •  E Thelma Schoonmacher pela montagem de Lobo de Wall Street? Nada? Como assim?

No balanço final tenho que admitir que a média não foi ruim. A Academia está mesmo rejuvenescendo, ficando mais atual e mais internacional. Agora é ver como vai ser essa longa, longa temporada de campanhas e estratégias – os Oscars são dia 2 de março este ano. Até lá, muita coisa pode acontecer….

Tags : Oscar 2014


Globos de Ouro 2014: álbum de retratos
Comentários 2

Ana Maria Bahiana

Amanhã é a madrugada das indicações, e a largada da nova etapa da Corrida do Ouro: o Oscar. Para dizer adeus e até o ano que vem aos Globos de Ouro, um álbum de recordações…

leo lupirtaLeonardo DiCaprio e Lupita Nyong’o: beleza pura

julia lupta

Julia Roberts também quis conhecer Lupita…

tom oscar lupita

…Oscar Isaac e Tom Hanks, também.

mcC. jpg

Reese, o viorioso Matthew McConaughey e nossa bela Camila.

downton

Lady Edith! Lady Mary!

cate

Cate, dominando. Como de costume.

sandra alfonso e cia

Quantas estrelas você consegue achar nesta foto? Além dessa conversa animadíssima entre Alfonso Cuarón, Sandra Bullock e Ben Affleck?

marty e jonah

Outra conversa animadíssima: Jonah Hill (que preferiu cerveja light a Moet et Chandon) e Martin Scorsese.

todo mundo

Congestionamento de estrelas. Contem vocês…

taylor

Taylor Swift num mar de celebridades (Alexander Payne e o chefão supremo dos estúdios Fox, Jim Gianopolus, ao fundo).

mattaboa

A reação de Matt Damon à história da “amnésia” de Melissa McCarthy.

Reese

Reese Witherspoon estava direto no Instagram…

oscar e mum

Na onda do momento: Oscar Isaac e mamãe.

u2

U2, melhor canção por “Ordinary Love”, a caminho da sala de imprensa. Até o ano que vem!

 


Analisando os Globos de Ouro 2014: quem realmente ganhou no domingo
Comentários 5

Ana Maria Bahiana

Todo mundo (ou quase) sabe que torci feito uma louca (e votei em ) 12 Anos de Escravidão, O Lobo de Wall Street,  Ela, Top of the Lake e Breaking Bad. E que não me conformo de jeito nenhum com a vitória daquele série boboca do Andy Samberg. Fora isso…. uma pequena análise da estratégia dos prêmios daqui para a frente.

 

globesabre

Se é verdade que os Globos de Ouro antecipam outros prêmios – principalmente os Oscars – então Trapaça, 12 Anos de Escravidão e Cate Blanchett já largaram na frente.  Mas, no fim das contas, essas sempre foram certezas nesta temporada-ouro.

Eu, pessoalmente, não tenho tanta certeza por um grande motivo: porque o corpo votante dos Globes é completamente diferente dos acadêmicos que escolhem o Oscar – ou os prêmios das Guildas, que tem a mesma composição demográfica. Mas esperem ver estes nomes, com certeza, entre os indicados a tudo, daqui para a frente. Esse, eu acredito, é o fator de peso dos Globos – definir o campo de disputa a cada ano, a cada nova safra.

Por essa lógica mesmo Gravidade, que despontou rapidamente como um favorito mas encolheu nas premiações dos Globos, reduzido a uma estatueta de Melhor Diretor para Alfonso Cuarón, ainda está absolutamente na disputa, assim como  12 Anos de Escravidão, que também é um pole do ano mas saiu da noite dos Globos com um único prêmio – se bem que o maior de todos, melhor filme/ drama.

Premiados de outras categorias, como Frozen (Globo de Ouro de melhor longa de animação) e A Grande Beleza (Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro) também acabam de se tornar certezas absolutas entre futuras indicações.

É mais interesssante notar os filmes cujas órbitas estavam mais distantes do Sol dos prêmios, e que, agora, viram suas carreiras aquecidas graças aos Globos de Ouro.

A delicada, feliz e inusitada combinação de ficção científica e comédia romântica de Ela, que valeu a Spike Jonze o Globo de Ouro de melhor roteiro está, com certeza, mais visível agora, capaz até de superar dois obstáculos – a relutäncia em premiar os dois gêneros que compõem sua mistura, e o fato do desempenho vocal de Scarlett Johansson (excepcional) não ser elegível. (Nota importante: o primeiro elemento, a automática má-vontade com ficção científica dos outros prêmios, ainda pode pesar para Gravidade. Mas veremos…)

jared

mattmc

 

Mas quem realmente disparou depois dos Globos de Ouro foi Clube de Compras Dallas, que saiu da noite com seus dois atores reconhecidos – Jared Leto como melhor ator coadjuvante e Matthew McConaughey como melhor ator/drama. Filme independente com uma longa e complicada trajetória de recusas e falsos começos, Clube de Compras Dallas ganhou, agora, a tração que precisa para ser incluído entre indicados.

A vitória de Leonardo DiCaprio por O Lobo de Wall Street, mais do que justa – especialmente depois de muitas outras grandes performances nos últimos 20 anos – pode ter menos peso na continuidade da temporada de prêmios.  O Oscar, por exemplo, ao contrário dos Globos de Ouro, tem apenas cinco vagas para atores e atrizes, e tende a priorizar os dramas. Poderá a vitória nos Globos de Ouro vencer a resistência dos votantes da indústria a uma farsa da dimensão de O Lobo de Wall Street, com todos os seus palavrões, drogas e excessos de todo tipo? Aí está uma trajetória interessante de acompanhar e que pode dizer muito a respeito de onde estão as cabeças de quem escolhe os outros prêmios da temporada.

bad

Entre os Globos de Ouro de televisão, a vitória inconteste de Breaking Bad – melhor série/drama, melhor ator/série/drama para Bryan Cranston– serviu de fecho de ouro à trajetória de um dos trabalhos mais importantes da tv contemporânea.

Mantendo seu tom de apoiar novidades, os Globos de Ouro distinguiram quatro estreantes que ainda não tiveram tração em outros prêmios: as minisséries Top of The Lake (melhor atriz/minissérie ou telefilme para Elisabeth Moss) e Dancing on the Edge (melhor atriz coadjuvante/ série, minissérie ou telefilme para Jacqueline Bisset, certamente o não-discurso de agradecimento mais eletrizante da noite…), e as séries Ray Donovan  (melhor ator coadjuvante/ série, minissérie ou telefilme para Jon Voight) e Brooklyn Nine-Nine (melhor série/comédia).

Vai ser interessante também ver o quanto estas escolhas irão ou não pesar nas futuras trajetórias dessas séries…