Blog da Ana Maria Bahiana

Categoria : Geral

Adeus, Frank Pierson, mestre roteirista
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Ana Maria Bahiana

Frank Romer Pierson, 12 de maio de 1925 – 23 de julho de 2012

SONNY

Mom.  Mom.  There are some things a

mother shouldn’t say in front of

her son.

VI

If she comes down here, so help me

I’m gonna mash her brains in.

Everything in your life was sunlight

and roses until you met her.

Since then, forget it.

SONNY

She doesn’t have anything to do with it!

You understand that? Mother?  This is me!

VI

I know you wouldn’t need Leon if

Heidi was treating you right.  The

thing I don’t understand is why you

come out and sleep with Heidi

anyway?  You got two kids on

welfare now.  What’re you goin’ to

bed with her, you don’t have enough

with one wife and two kids on

welfare, you want a wife and three kids on welfare?

SONNY

(this is old stuff)

Not now, Mom, please.

VI

What’ll you do?  Come out.

SONNY

(patiently – I told you

a hundred times)

I can’t, Mom.  If I come out Sal

will kill them.

VI

Oh.

(she thinks for a moment)

Run.

SONNY

What the hell for? Twenty-five

years in the pen?

VI

Maybe…

SONNY

Maybe!  Aw Christ, what dreams you

 live on!  Maybe what?

She stares at him.He talks slowly and carefully to her.

SONNY

I’m a fuckup and an outcast.  There

isn’t one single person in my life

I haven’t hurt through my love.

You understand that?  I’m the most

dangerous person in the world,

because if I love you, watch out,

you’re gonna get fucked, fucked

over and fucked out!

(Roteiro de Um Dia de Cão/Dog Day Afternoon, 1975)


Não há muito o que dizer. Há muito o que pensar.
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Ana Maria Bahiana

 

Ir ao cinema não deveria ser assim. Pensando com carinho e compaixão nas vítimas de Aurora, Colorado, e suas familias.

“O cinema é minha casa. Violar um lugar tão inocente e cheio de esperança de um modo tão insuportávelmente selvagem é devastador para mim“. Christopher Nolan


Rumo à Tintinlândia
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Ana Maria Bahiana

 

Estou em trânsito…. A partir de amanhã e até segunda feira, sigam minha cobertura do lançamento de Tintin e o Segredo do Licorne no UOL Entretenimento. A bientôt!


Além dos top 10, uma dúzia de ótimos filmes da safra 2010
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Ana Maria Bahiana

Juntamente com meus top 10 para 2010 havia uma explicação sobre o periodo em consideração – os meus lançamentos de 2010, que acontecem num ritmo diferente, aqui nos EUA – e uma lista de “veja também”, indicando outros bons filmes que, por motivos diversos, não cabiam nos 10 espaços pré- determinados. Aqui vão eles…
Bravura Indômita (True Grit) Os Coens voltam ao Oeste selvagem e ao texto do livro de Charles Portis que inspirou o filme de John Wayne em 1969. O humor é tão nu e cru quanto as paisagens _ e a menina Hailee Steinfeld é uma descoberta.
It’s Kind of a Funny Story Gosto tanto deste filme que sinto até pessoalmente sua ausência nas listas alheias. O casal de diretores Anna Boden/Ryan Fleck (Half Nelson, Sugar) compreende perfeitamente a dor e a delícia da adolescência, tão intensas que, as vezes, parecem loucura.
127 Horas (127 Hours)
Preso à parede de um cânyon por um rochedo, um homem medita sobre destino, humanidade, solidão, solidariedade e o verdadeiro significado da coragem.
Blue Valentine Num ano repleto de filmes vagabundos sobre a relação entre mulheres e homens, o extraordinário Derek Cianfrance (documentarista, discípulo de Stan Brakhage) manipula tempo e espaço para dissecar o que nos faz entrar e sair do reino da paixão. Desempenhos maravilhosos de Ryan Gosling e Michelle Williams.
Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim Vs The World) Em gerações anteriores as metáforas para o terror e a maravilha de ter 20 anos foram guerras, viagens de aventura e explorações espaciais. Agora, são videogames – mas o encanto é o mesmo.
O Discurso do Rei (The King’s Speech) Apesar do clima “isca de Oscar” com cheirinho de Miramax nos anos 90, os desempenhos extraordinários de Colin Firth e Geoffrey Rush colocam em outro nível a jornada do rei que não conseguia falar.
Biutiful Alejandro González Iñarritu está sentindo a falta da mão firme do ex-parceiro Guillermo Arriaga no roteiro, mas a performance paranormal de Javier Bardem como um homem tentando fazer a coisa certa mesmo na plena escuridão existencial vale o filme.
Winter’s Bone Mais uma vez, um filme que poderia ser apenas bom se torna extraordinário graças a uma intrepretação fora do comum: a de Jennifer Lawrence como a adolescente que se vê chefe de familia numa isolada comunidade das montanhas Ozark, no interior do interior dos EUA.
Enterrado Vivo (Buried) Um truque hitchcockiano – um personagem, sozinho, numa situação impossível- funciona maravilhosamente neste thriller claustrofóbico.
Não me abandone jamais (Never Let Me Go) O livro de Kazuo Ishiguro sobre o que realmente nos faz humanos inspira esta meditação tristíssima e linda de Mark Romanek.
O Escritor Fantasma (The Ghost Writer) Qual versão da verdade é a verdade? Polanski transforma o (maravilhoso) roteiro de Robert Harris (adaptando seu próprio livro) em algo muito mais pessoal e complicado que um thriller político.
Ilha do Medo (Shutter Island) Um Scorsese em tom menor é melhor que os maiores esforços de muitos de seus colegas.
Veja também: Animal Kingdom, Des Hommes et des Dieux, Cyrus, Flipped, Monsters, O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy) , A Zona Verde (Green Zone), Tiny Furniture, O Jogo do Poder (Fair Game), Let Me In, The Town, Carlos.
E, é claro, Cat Diaries (não estou brincando – pelo menos não inteiramente. Este adorável curta é um trabalho admirável de montagem e música. Sem falar na cinematografia, inteiramente por felinos…)

E que 2011 seja um ano cinematográfico para todos nós!

Uma década no cinema do século 21: nada será como antes?
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Ana Maria Bahiana

Parafraseando um antigo programa da BBC (que influenciou muita gente boa), esta foi a década que foi. Não exatamente um momento de felicidade no planeta Terra _  por que seria no cinema?

E no entanto coisas interessantíssimas aconteceram. Entre elas:

  • A grande crise. A década começou com o mercado de consumo de ingressos de cinema em festa, com 1 bilhão e 58 milhões de bilhetes vendidos apenas nos EUA e Canadá. Descontado o pique de 2009 –quando Avatar, sozinho, representou um aumento de 15% de vendas – o tombo foi gradual e grande, pior a partir da recessão de 2008, quando a crise no mercado imobiliário norte-americano virou uma bola de neve de repercussões internacionais.  Nos últimos três anos da década os grandes estúdios que fazem parte da Motion Picture Association of America produziram menos 12% em número total de títulos por ano – de 920 em 2005 para 677 em 2009.

Mas esse impacto foi maior e mais profundo que apenas um encolhimento: as fontes de financiamento da produção secaram, diminuindo radicalmente as opções para projetos independentes e co-produções internacionais.  Em pânico com a retração do consumo, os estúdios produziram não apenas menos, mas mais do mesmo: a partir de 2008 só ganhou  luz verde quem podia garantir casa mais ou menos cheia ou, idealmente, bandos de adolescente dispostos a passar o fim de semana inteiro no shopping.

  • O novo 3D _ Desde meados do século passado a ilusão de profundidade é uma espécie de santo graal do entretenimento audiovisual. Nesta década, o salto quântico da captação e da exibição digital de imagens trouxe de volta a possibilidade  da tão sonhada “experiência imersiva”,o abraço total da narrativa. Não é de espantar que o mais dedicado discípulo do novo 3D- James Cameron – tenha sido o responsável pelo mais monstruoso sucesso do formato – Avatar. Com isso, duas coisas ficaram claras: 1. Era possível atrair o público de volta para as salas de cinema e 2. A qualidade do 3D e, sobretudo, o bom uso da tecnologia a serviço de uma história à altura eram essenciais. Em resumo: o 3D não foi a panaceia que muita gente esperava, mas entrou para o arsenal de recursos disponíveis para realizadores curiosos.
  • O audiovisual pessoal. Enquanto os grandes distribuidores pensavam exclusivamente em levar pessoas para salas de cinema, fabricantes de hardware, software e realizadores imprensados pela falta de opções descobriam que era hora de levar o conteúdo ao consumidor _ onde quer que ela ou ele estivessem. O grande boom da década, mais importante que a corrida a Pandora, foi a multiplicação de plataformas para o que antes se chamava “filme”  e que, hoje, é uma série de códigos acessíveis em casa, na rua, no celular, no computador. Nos EUA e Canadá, hoje, é possível ver qualquer filme ou série de TV, legalmente,  por muito pouco , sem sair de casa. Isso inclui o cinema do mundo todo, curtas, repertório, seleções de festivais, títulos independentes. Como modelo de negócios, ainda não é o bastante para resolver o impasse da  crise financeira. Mas promete.

  • A maturidade da TV. Sem trabalho no cinemão, com projetos pessoais frustrados e exaustos de tanto correr atrás de um público que preferia ficar em casa, uma parte substancial do talento criativo mudou-se para uma forma de expressão que tem distribuição garantida –a TV. Alguns dos melhores momentos da narrativa audiovisual da década vieram do que mal pode se chamar “telinha” (quando existem à venda televisores de 60 polegadas, alta definição, 3D): da saga mitológica de Lost à investigação existencial de Mad Men; a reivenção do noir, do thriller , do musical, do terror _ e de Sherlock Holmes.  O Carlos de Olivier Assayas e os documentários da HBO. O Traffik não-ficção da BBC que ganhou o Oscar com a assinatura de Steve Soderbergh. E, em 2009, três dos melhores filmes da década, disponíveis apenas na TV: a Red Riding Trilogy (foto) do Channel 4 britânico.

  • O triunfo da animação . Nos primeiros 10 anos do século 21, apenas uma companhia pode dizer que cada um de seus lançamentos foi um sucesso _ a Pixar. De Monstros SA em 2001 a Toy Story 3 em 2010 cada nova produção estabeleceu um novo nível de excelência técnica, um novo marco em popularidade além das convencionais divisões do mercado por idade. A comprovação desse domínio veio com a corrida dos demais estúdios para voltar à animação _ e da Disney para atualizar sua produção in house, culminando com a colocação de John Lasseter, fundador da Pixar, como presidente de animação do estúdio.  Sem sindicatos, exigências, escândalos e papparazzi, os atores virtuais colocaram o controle da narrativa nas mãos dos roteiristas e diretores _ e este foi o grande trunfo da Pixar.

  • A globalização. A vitória de Quem Quer Ser Um Milionário (foto) nos prêmios de 2008 confirmou o que a indústria já sabia _ que talento, histórias e recursos financeiros não tinham visto nem passaporte. É uma tendencia cíclica _ nos anos 1950-60, imprensados com a diminuição da produção nativa, distribuidores e exibidores norte-americanos encheram os cinemas com filmes da fértil filmografia europeia e asiática, na medida para os gostos de uma nova geração. Agora, a crise econômica  trouxe investidores coreanos e indianos para a DreamWorks, fechou acordos entre Hollywood e Bollywood e abriu as portas a diretores como Guillermo del Toro, Christopher Nolan, Alejandro Amenabar, Ang Lee, Carlos Saldanha, Peter Jackson, Florian Henckel von Donnesmarck, Neil Blomkamp. E levou a febre do remake ao grau de epidemia.

Monstros invadem a Academia!
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Ana Maria Bahiana

Com emoção, agora! Filmando Monstro da Lagoa Negra em 1954

Os eventos de Halloween da Academia de Artes e Ciências são sempre bárbaros mas o deste ano está particularmente apetitoso – dia 21 de outubro os melhores monstros do cinema vão invadir o teatro Samuel Goldwyn no evento Monsters in The Movies. Um grupo de realizadores e especialistas  que inclui o diretor Jon Favreau (Iron Man), o especialista em animatronics e robótica Shane Mahan e Owen  Roizan, o oscarizado diretor de fotografia de O Exorcista vai apresentar clipes de clássicos do terror, conversando com o público sobre a evolução da técnica e da arte de conjurar criaturas fantásticas na tela (e nos nossos pesadelos, também…)

Clipes de King Kong ( 1933 e 2005), A Noiva de Frankenstein (1935), O Monstro da Lagoa Negra (1954), Planeta dos Macacos (1968), O Exorcista (1973), Um Lobisomem Americano em Londres (1981-um dos meus favoritos!) e Aliens (1986) vão ilustrar a conversa. No lobby da Academia, as criaturas em pessoa – ou melhor, os protótipos, elementos e sketches usados em sua criação – estarão cumprimentando os visitantes e pondo todo mundo no clima.

Tudo aberto ao público, com ingressos a cinco dólares. Dá prazer sentir medo assim